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Peixes Peçonhentos

As potentes toxinas presentes nesses animais colocam em risco a saúde pública devido aos quadros patológicos que provocam nas situações de envenenamento.
Peixes Peçonhentos

Em todos os níveis da escala filogenética, os seres vivos apresentam comportamentos de ataque e defesa que incluem a produção de substâncias repelentes, paralisantes ou com outras ações biológicas. Estas substâncias na maioria das vezes apresentam uma grande variedade de toxinas que são responsáveis pela sintomatologia observada nos envenenamentos e pelas complexas relações ecológicas existentes entre os organismos. A produção de toxinas por animais aquáticos é uma estratégia importante que garante sua sobrevivência em um ecossistema altamente competitivo. Assim, para defender-se ou defender seu território, estes animais produzem um enorme número de metabólitos, cujas combinações resultam em uma grande variedade de estruturas químicas e moléculas complexas como peptídeos e proteínas. As potentes toxinas presentes nesses animais colocam em risco a saúde pública devido aos quadros patológicos que provocam nas situações de envenenamento. O Brasil possui uma extensa linha costeira de águas temperadas e tropicais, propiciando a existência de grande número de animais potencialmente perigosos que associados a fatores como o grande afluxo de banhistas às praias, o incremento à pesca comercial e esportiva, atividades como mergulho autônomo e pesca submarina favorecem a ocorrência de muitos acidentes em humanos. Os animais aquáticos capazes de provocar acidentes em seres humanos, reunidos em função e gravidade dos acidentes, são poríferos, cnidários, vermes, moluscos, equinodermos, crustáceos, destacando-se os peixes. Praticamente todas as famílias e gêneros de peixes peçonhentos têm representantes nos mares e rios do Brasil, entretanto os que mais causam acidentes são arraias, bagres, peixes-escorpião e niquins. Possuem importância médica pelos acidentes que provocam em humanos, uma vez que são incapacitantes e mantêm a vítima afastada do trabalho por semanas ou mesmo meses, além de acarretar importantes seqüelas pela ausência de uma terapia cientificamente comprovada. De maneira geral os acidentes provocados por animais aquáticos provocam importante efeito local caracterizado principalmente por eritema, dor, edema e necrose.

Por Mônica Lopes Ferreira

 

Peixes que provocam o maior número de acidentes no Brasil


Thalassophryne nattereri (Niquim)

 


Scorpaena (Peixe-escorpião)

Espinhos são cobertos por uma bainha tegumentar e glândula peçonhenta

 


Pseudopltystoma / Cathorps (Bagres)

 

  


Potamotrygon (Arraias)

 

 


Niquim, peixe-sapo, sapocano

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Bagres

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Peixe-escorpião

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Arraias

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Índices Imunorregulação

 

LETA - Laboratório Especial de Toxinologia Aplicada
Grupo de Pesquisa em Imunorregulação, Instituto Butantan
monica.lopesferreira@butantan.gov.br (11) 3726-1024